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Jean Baudrillard:

1 :Ao mokoichannel, VIP deverá ser consultado:2026/05/10(日) 16:51:09.00 ID:5tKwieK7
O holocausto não aconteceu

4 :Ao mokoichannel, VIP deverá ser consultado:2026/05/15(金) 17:31:06.85 ID:OqIKQFJQ
ele diz isso:
"O que ninguém quer compreender é que o Holocausto é, em primeiro lugar (e exclusivamente) um acontecimento tele­visivo (regra fundamental de MacLuhan, que não há que esquecer), isto é, que se tenta aquecer um acontecimento histórico frio, trágico mas frio, o primeiro grande aconteci­mento dos sistemas frios, dos sistemas de arrefecimento, de dissuasão e de exterminação que em seguida se vão desdobrar sob outras formas (inclusive a guerra fria, etc.) e dizendo respeito a massas frias (os judeus, mais envolvidos pela sua própria morte, e autogerindo, eventualmente, massas mais revoltadas: dissuadidas até à morte, dissuadidas da sua própria morte) de esquecer este acontecimento frio através de um médium frio, a televisão, e para as massas elas próprias frias, que terão aí ocasião de sentir apenas um calafrio táctil e uma emoção póstuma, calafrio dissuasivo também ele, que lhes fará lançá-lo no esquecimento com uma espécie de boa consciência estética da catástrofe.

Para aquecer tudo isso, não foi demasiada toda a orques­tração política e pedagógica vinda de todo o lado para tentar dar um sentido ao acontecimento (ao acontecimento tele­visivo, desta vez). Chantagem e pânico à volta das conse­quências possíveis desta emissão na imaginação das crianças e dos outros. Todos os pedagogos e trabalhadores sociais mobilizados para filtrar a coisa, como se houvesse algum perigo de virulência nesta ressuscitação artificial! O perigo era, bem pelo contrário, o inverso: do frio para o frio, a inércia social dos sistemas frios, da televisão em particular. Era, pois, preciso que todos se mobilizassem para voltar a fazer social, social quente, dissuasão quente e, logo, comu­nicação, a partir do monstro frio da exterminação. Faltam questões, investimento, história, palavras. Este é o problema fundamental. O objectivo é, pois, o de produzir isso a todo o custo e esta emissão servia esse fim. Captar o calor artificial de um acontecimento morto para aquecer o corpo morto do social. Desde a adição de mais médium adicional para reforçar o efeito por feed-back: sondagens imediatas vaticinando o efeito maciço da emissão, o impacte colectivo da mensagem — enquanto que as sondagens apenas verificam, como é evidente, o êxito televisual do próprio médium. Mas o problema desta confusão nunca deve ser suscitado.

A partir daí, seria preciso falar da luz fria da televisão, por que é que ela é inofensiva para a imaginação (incluindo a das crianças) pela razão de já não veicular nenhum imagi­nário e isto pela simples razão que não é mais que uma imagem. Opô-la ao cinema dotado ainda (mas cada vez menos porque cada vez mais contaminado pela televisão) de um intenso imaginário — porque o cinema é uma imagem. Isto é, não apenas um ecrã e uma forma visual, mas um mito, uma coisa que ainda tem a ver com o duplo, o fantasma, o espelho, o sonho, etc. Nada disso existe na imagem «televisão», que não sugere nada, que magnetiza, que não é, ela própria, mais que um ecrã e nem mesmo isso: um terminal miniaturizado que, de facto, se acha imediatamente na nossa cabeça — nós é que somos o ecrã, e a televisão olha para nós — transistoriza-lhe todos os neurónios e passa como uma fita magnética — uma fita, não uma imagem."

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mokoichannel Ver. mokoich CGI 2024/11/17